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domingo, 14 de julho de 2013

Homem de Ferro 3 (Análise e Crítica)



Nas redes sociais e em sites sobre cinema e quadrinhos, não se falará sobre outra coisa neste final de semana: a estreia do terceiro capítulo da franquia Homem de Ferro. Entretanto, o teor dos comentários não é a qualidade da produção e nem do roteiro. Muito distante disso, o filme está sendo alvo de críticas ferrenhas, principalmente dos fãs das histórias em quadrinhos. Depois da catarse de “Os Vingadores” (2012), parece que a chamada Fase 2 da Marvel começou dividindo opiniões e quebrando a unanimidade até então adquirida.

Saindo Jon Fraveau dos postos de roteirista e diretor,  Shane Black os assumiu sem conseguir deixar um diferencial expressivo. Depois dos excessos de “Homem de Ferro 2” (2010), a Marvel decidiu investir em roteiros que evidenciassem o aspecto mais humano de seus heróis, o que ficou muito claro em “Capitão América – O Primeiro Vingador” (2011) e ainda mais em “Os Vingadores”. Nessas duas produções, souberam dosar a carga dramática e individual dos personagens com boas sequências de ação e lutas, além de manterem um ritmo linear na narrativa.

Seguindo essa perspectiva, “Homem de Ferro 3” está focado na figura de Tony Stark (Robert Downey Jr.) e não na de seu alter ego. No longa, que se situa pós os acontecimentos em Nova Iork, o empresário bilionário passa por um tremendo inferno astral, quando vê seu reino e sua vida pessoal virados de cabeça para baixo com a chegada de um novo inimigo, o terrorista Mandarim (Ben Kingsley), disposto a ir às últimas consequências para destruir o herói. Depois de ver feridos o seu guarda-costas e amigo Happy Hogan (Jon Fraveau) e também sua namorada Pepper Potts (Gwyneth Paltrow), Stark jura vingança e morte a seu novo rival.



Diferente de todos os outros filmes produzidos pelos estúdios da editora, o maior pecado deste é o seu roteiro, que é cheio de verdadeiras mancadas e furos grotescos: como Stark dá o seu endereço de casa e continua lá ainda com a Potts, por exemplo? Como a armadura do Patriota de Ferro/Rhodes (Don Cheadle) consegue ser reaproveitada depois de manipulada pela IMA? Por que Hogan, durante uma forte explosão, é o único sobrevivente, mesmo no raio em que outras pessoas que também estavam tenham sido totalmente pulverizadas da face da Terra? Para o chefe de um grupo de super-heróis, por que Tony se mostra tão amador e um 007 de quinta categoria? São situações totalmente desconexas com a realidade até agora trazida para as telas.

Embora seja centrado na figura do homem e não na do herói, existe muita informação que somente os poderes do vingador podem resolver. E o que acaba acontecendo? Outros personagens não se destacam – entrando, sumindo e retornando para a trama de forma desorganizada –  e os vilões, mais uma vez, acabam sendo mal desenvolvidos e suas intenções soam artificiais e supérfluas. Por exemplo, o personagem de Guy Pearce, o cientista Aldrich Killian, resolve se vingar de Stark por o empresário tê-lo feito esperar no telhado por horas, há alguns anos. Essa motivação é chula e não consegue convencer a maioria da audiência.

Baseado no arco de histórias sobre o vírus Extremis, tal peripécia se perde um pouco por conta da presença de Mandarim. Igualmente a “Homem-Aranha 3” (2007), o antagonismo é prejudicado pelo excesso. Para que haver duas problemáticas numa trama de tom mais intimista? Ora se perdia o foco de uma para dar espaço a outra, e vice-versa.



Todavia, nada deu tanto o que falar como o que se destinou ao Mandarim. Um dos mais clássicos inimigos do herói, o vilão foi ridicularizado pelo roteiro de Black, numa espécie de paródia de filmes do gênero. Há de se convir que a estratégia resultou em uma originalidade ao enredo e surpreendeu a todos, mas a questão que ficou no ar é: por que logo com o Mandarim? Por que se perdeu dessa forma a oportunidade de se criar o primeiro grande antagonista no cinema para o Homem de Ferro?

Por conta disso, muitos relatam a sensação de terem sido enganados. E não é para menos. Os trailers, vídeos e até as entrevistas anteriormente divulgadas parecem que venderam outro filme. Foram descontextualizadas algumas cenas e que, juntadas a outras, deram a impressão de um tom mais sombrio, perturbador, profundamente intimista e dentro de situações mais movimentadas. Quando não. Embora um pouco mais dosado que nos projetos antecessores, Stark continua com seu humor ácido e sarcasmo cruel, que funciona em muitas situações mas influencia negativamente também na carga emotiva de outras. Por exemplo: sendo Potts a mulher de sua vida, haveria motivo para fazer piada logo depois de sua provável morte? Isso sem contar que às vezes parecia forçado, como naquela dancinha para colocar a armadura.

Mesmo assim, existem pontos interessantes presentes neste episódio. O primeiro deles, logicamente, continua sendo o carisma de Downey Jr, que literalmente carrega o filme nas costas. É difícil imaginar o futuro do Homem de Ferro desassociado à sua figura, visto que para as próximas películas o ator já terá passado dos 50 anos. A facilidade com a qual incorpora o personagem e o deixa muito fiel aos quadrinhos vai muito além das semelhanças físicas, sendo “simplesmente” a personificação do Tony Stark. Menos exibicionista que nos outros filmes, o ator continua sabendo dar o tom perfeito à sua interpretação.



As sequências de ação, agora em menor número, também não decepcionam. Além do embate final, como não poderia ser diferente, a que mais se destaca é a do avião. É claro que nos remete à sequência de abertura de “O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, só que em proporções menores e com outra finalidade. Uma vez que agora o herói luta por motivos pessoais, salvar pessoas quer dizer que ele ainda se preocupa com o coletivo e não passou a usar sua tecnologia e armadura somente para vingança. Ademais, ter feito a escolha de resgatar onze civis ao presidente dos Estados Unidos foge do clichê e lhe dá humanidade, visto que o mais importante é a quantidade de vidas e não a classe ou a função da pessoa na sociedade. Embora ignorada por alguns fãs que a consideram forçada, essa sequência é mais simbólica que fundamentalmente necessária.

Outro ponto importante – talvez o mais de todos – é o rumo que o desfecho do filme acarretará para a própria franquia assim como para todo o universo cinematográfico da Marvel, que está cada vez mais se distanciando das suas origens primárias. Agora Stark desfez do seu reator de energia do peito e a Potts tem poderes. Como isso será aproveitado é a grande questão, uma vez que todos esses projetos são interligados e formam um universo coeso.

Então, para muitos, a segunda fase da Marvel não chegou a começar com o pé esquerdo, porém há o sentimento de “pé direito amputado”. Ou seja, os erros foram tão sobressalentes que deixaram opacos os possíveis – e poucos – acertos e frustraram as grandes expectativas que o público mantinha. Diante de um filme de qualidade duvidável, resta-nos esperar pelos outros já confirmados desta fase: “Thor 2 – O Mundo Sombrio” (2013), “Capitão América 2” (2014), “Guardiões da Galáxia” (2014) e “Os Vingadores 2” (2015), onde os equívocos precisam ser urgentemente sanados.

Estaria a Marvel se aproveitando dessa febre de super-heróis, que a própria trouxe de volta, para se importar mais com as bilheterias que com a qualidade das produções? Que nós, fãs dos quadrinhos, sejamos ouvidos, pois infelizmente já começamos a nos preocupar com o que ainda vem pela frente...

Nota: 6,5. (Fora, Black!!! rsrsrsrs)

Dica: não canse os seus olhos com a versão em 3D. Nunca houve na história do Cinema uma conversão tão fajuta, mal-feita e caça-níquel como esta. Tudo bem que as conversões da Marvel nunca foram de fato boas, mas em “Homem de Ferro 3” não se trabalham profundidades da tela, texturas de imagem, sequer a interatividade com o espectador. Simplesmente nada! É só mais um ponto negativo e que vem a descredibilizar o estúdio.

Homem de Ferro 3: Tony Stark e o dilema do herói moderno





Qual o fã de quadrinhos não se lembra de uma cena, seja nas revistas ou em alguma adaptação para outra mídia, em que o seu herói predileto arrisca ou até perde a vida em prol do bem-estar coletivo? Ou então busca justiça em vez da simples vingança? Pois é, foi-se a época em que os heróis eram símbolos de perfeição e altruísmo. Passados ¾ de século desde a estreia de Batman e Superman nos quadrinhos, o que temos hoje são heróis cada vez menos super e mais propícios a falhas e fracassos. Numa tentativa de se adaptarem à nova realidade contemporânea, até eles tiveram de ser moldados.

No recém-lançado “Homem de Ferro 3”, a ênfase na figura de Tony Stark (Robert Downey Jr.) deixa evidente uma tendência que se propagou na nona arte – os quadrinhos – lá entre os anos 1980 e 1990: a humanização do herói.  Quem ficou na sala de projeção para acompanhar a cena pós-crédito teve a oportunidade de perceber que toda a narração do filme é, na verdade, uma conversa entre o empresário bilionário e Bruce Banner/Hulk (Mark Ruffalo) em um... consultório??? Sim, o Homem de Ferro está no divã e o Hulk é o seu analista. O herói mais poderoso e carismático do universo Marvel, além de responsável por ter salvado a Terra de sua dizimação, tem problemas existenciais, se sente fraco e precisa desabafar.

Embora o longa tenha lá os seus problemas – quem quiser pode ler a minha crítica na relação de textos publicados –, o desenvolvimento do personagem é o único ponto forte do roteiro e o que segura de fato o filme. São as atitudes errôneas de Stark – o seu lado humano – que vão fazê-lo se dar conta das coisas mais importantes que ele tem na vida. Logo no início da trama, o personagem se apresenta instável e aflito. Não consegue dormir e quando o faz ainda tem pesadelos. Sentimentos ruins começam a tomar conta dele, inclusive o medo de perder a quem mais estima, sua namorada Pepper Potts (Gwyneth Paltrow). Paradoxalmente, é justamente ele quem a coloca em perigo.



Quando seu guarda-costas e amigo Happy Hogan (Jon Fraveau) é gravemente ferido em um atentado com bomba, Stark jura vingança ao “terrorista responsável”, Mandarim (Ben Kingsley), e em rede nacional cede o endereço de sua residência, como se marcasse um confronto. Seu lado narcisista acaba se esquecendo do perigo, e sua residência então é alvejada por inúmeros atentados com armas e mísseis poderosos. Despreparado, vê o seu reinado ruir e a mulher que ele ama feita de refém. Toma conta dele o sentimento da vingança, algo muito comum no ser humano normal, principalmente em quem já desacredita no poder da justiça.

Focada na persona, a película mostra o herói/homem em uma batalha de cunho íntimo. Dado como morto, terá que recomeçar do zero a fim de reaver aquilo que lhe pertence. Mesmo sendo uma história fantasiosa e provavelmente inverossímil, é necessário que o espectador se identifique e de alguma forma crie laços com esse herói tão conturbado, que poderia ser o próprio espectador. Afinal, quem nunca teve de recomeçar sem expectativa de nada, se viu sozinho nessa jornada e se sentiu fracassado? Quem nunca teve de recuperar forças de onde não imagina para seguir em frente? O sofrimento, além de sensibilizar, nos faz criar identificações; e quando vimos um herói sofrer também nos sentimos heróis.

O fato de ele pouco usar a sua armadura – que melhor caracteriza o seu alter ego – ressalta justamente a sua força e superação. Como se fôssemos nós, de cara limpa, enfrentando as peripécias do nosso dia a dia. Para não chocar o público infantil – e não perder bilheteria por conta da classificação indicativa – os filmes do Homem de Ferro não retratam algo muito importante da biografia do personagem, que é o fato de ele ter sido alcoólatra e quase ter perdido tudo por causa do vício, como é demonstrado no excelente arco “O Demônio da Garrafa”, do final da década de 1970. Entretanto, neste terceiro episódio da franquia, existe uma cena em que ele diz isso, que quase chegou ao fundo do poço por causa da bebida e que nada mais o faria perder coisas importantes. Embora só mencionado, não deixa de ser um dado significativo, capaz de mostrar a fraqueza (o vício) e a superação (a reabilitação).


Dessa forma, o egocentrismo não é sinônimo de egoísmo. Todos nós precisamos no decorrer da vida de momentos em que devemos pôr a nós mesmos em ênfase e cuidar de nossas vidas. Na medida certa, esses momentos são essenciais para que nos restabeleçamos com a sociedade, afinal de contas só a pessoa satisfeita consigo mesma poderá se relacionar melhor com o outro. No contexto do longa, a cena do resgate de civis em atentado a uma aeronave mostra justamente isso. Numa trama de cunho pessoal, pretende-se dizer que o egocentrismo de Stark não necessariamente remete ao egoísmo. Ele ainda se preocupa com o próximo e é altruísta, uma atitude que somente somou a seus propósitos.

Seguindo a tendência de sucesso da última trilogia Batman, dirigida por Christopher Nolan, a Marvel deixou uma mensagem bem clara através de “Homem de Ferro 3”: que esta nova fase dos seus filmes vai se focar nos dilemas dos homens e mulheres que vestem os uniformes e as armaduras – suas emoções, medos, fraquezas, perdas, reconquistas, superações... E quem, a princípio, tem a ganhar com isso é o público, que será presenteado com a possibilidade de sair das salas de cinema não somente extasiado pelas lutas e aventura, mas também emocionado e podendo refletir sobre o mundo, a sociedade e – o mais importante – si próprio.

Basta querer, observar e estar disposto para isso. Anos atrás, quem poderia dizer que filmes de super-heróis seriam mais que puro entretenimento e fantasia? Apesar de todos os seus clichês e furos de roteiro, a essência desses filmes está evoluindo; e isso é um convite para que seus espectadores façam o mesmo.

Homem de Ferro 3: o carro-chefe para a segunda fase da Marvel nos cinemas. O que esperar?


Tudo se iniciou em 02 de maio de 2008, quando chegou aos cinemas aquele que seria o ponto de partida para um dos projetos cinematográficos mais ambiciosos de todos os tempos: estrelado por Robert Downey Jr., o Marvel Studios lançava o seu primeiro filme, “Homem de Ferro”, centrado na história do alter ego do multibiolionário Tony Stark, um dos personagens mais antigos da editora de quadrinhos, embora não configurasse entre os mais populares. Com uma arrebatadora campanha de marketing, uma produção de alta qualidade e ainda de quebra o carisma de seu intérprete, o longa superou todas as expectativas e arrecadou mais de 550 milhões em bilheteria. A empreitada havia dado certo.


Ainda no mesmo ano, foi lançada a versão da Marvel de seu Gigante Esmeralda no bom “O Incrível Hulk”. Arrecadando também boas cifras, vieram em seu encalço “Homem de Ferro 2” (2010), “Thor” (2011) e “Capitão América – O Primeiro Vingador” (2011). Com seus [super]heróis devidamente apresentados e muito bem aceitos pelo público e crítica, eis que em abril de 2012 a grande catarse estreou em milhares de salas de cinema muito afora: “Os Vingadores”, uma megaprodução nunca antes vista para filmes do gênero e que, acima de tudo, veio para consolidar a força de mercado dos estúdios da Marvel. A reunião de todos esses caracteres se transformou na terceira maior bilheteria de todos os tempos e encerrou a chamada Fase 1, cujos filmes tinham o objetivo maior de apresentar as origens desses heróis e posteriormente juntá-los.

E é novamente com o irreverente empresário Tony Stark que a Marvel decidiu dar partida ao início da segunda fase, referida como a “estrada para os próximos vingadores”. A escolha não poderia ser outra, já que, entre todos os personagens do universo explorado nas telonas, ele é o favorito da audiência por seu paradoxal estilo de vida e senso de justiça, além do sarcasmo inteligente e direto. Trata-se de “Homem de Ferro 3”, cuja direção agora fica a cargo de Shane Black, responsável pelos roteiros da franquia de sucesso “Máquina Mortífera”.

Mas o que esta fase pode trazer de diferente daquilo que já não tenha sido explorado antes? Bem, através dos trailers, teasers e comerciais de tv, fica evidente que o que temos agora é uma grande mudança no tom da narrativa. Enquanto os dois primeiros filmes da franquia prezavam por situações que davam um suporte humorado à produção, este parece ser mais sombrio e se focar mais no homem Tony Stark do que no herói Homem de Ferro. Pelos trailers, principalmente, algumas imagens e a trilha sonora obscura de Brian Tyler levam a crer que o Vingador Dourado passará por provações e desafios antes nunca imaginados, a ponto de perder todo seu reino e, o mais grave, a pessoa que mais ama no mundo, Peppers Potts (Gwyneth Paltrow). Fracassado e sozinho, terá de encontrar em si mesmo forças para se reerguer e enfrentar um temido vilão.

A sinopse já divulgada, na verdade, desnorteia mais que esclarece. O que sabemos de fato é que a trama é baseada no arco de quadrinhos chamado Extremis, responsável pelo mais recente reboot do herói e que o deixou mais interessante e atual ao nosso tempo. Com roteiro de Warren Ellis e arte magistral de Adi Granov, a narrativa gira em torno do vírus tecnológico que lhe dá nome, que ao mesmo tempo é uma ameaça para Stark e sua salvação, configurando-se assim um complexo paradoxo para o cientista. Entretanto, não foi nenhuma surpresa para os fãs da nona arte o fato de o terceiro capítulo ser baseado nesse arco, uma vez que diversos elementos já haviam sido referidos nas películas anteriores. Principalmente na primeira, onde diálogos e situações foram adaptados para as telas. Na segunda, uma tomada que mostra várias armaduras também é uma cena adaptada dos quadrinhos. E, finalmente, em “Os Vingadores”, quando Stark usa de um bracelete para acionar peças de sua armadura.

Aliás, como todos esses filmes são intercalados, a tecnologia usada por Tony em “Homem de Ferro 3” nada mais é que um aprimoramento que o mesmo vinha fazendo nos episódios da primeira fase. Em um dos trailers, mostra-se que o Cavaleiro de Ferro desenvolve um sistema capaz de chamar até ele sua própria armadura, fato que leva a crer que tenha sido uma ferramenta configurada entre os eventos finais de “Os Vingadores” e o inferno astral a ser vivido por Stark, no universo cinematográfico da Marvel.

Entretanto, é a figura do vilão que causa maior frisson entre os fãs. Segundo recente entrevista de Kevin Feige, presidente do Marvel Studios, o público não gostaria de ver pela terceira vez uma luta de armaduras entre o mocinho e o vilão. E, por isso, foi escolhido um dos mais enigmáticos e simbólicos antagonistas de sua galeria, o Mandarim. Originário nas histórias ainda dos anos 60, encontrou na magia a maneira de reaver tudo que lhe foi tomado pelo sistema comunista chinês e assim viu sua crescente ascensão. É quem estrela o primeiro longa-metragem animado do herói, “O Invencível Homem de Ferro”. Porém, diferente dessas duas mídias, no cinema Stark pertence a um panteão supertecnológico e tudo leva a crer que a adaptação de Mandarim seguirá esse mesmo paradigma. Apesar da estreia iminente, ainda tudo é muito incerto; mas pelos trailers se pode observar que o algoz, para atacar Stark, usa de aparatos tecnológicos e não artifícios místicos.

Outro mistério é como a trama de Extremis estará ligada a Mandarim. Mas a escolha de Ben Kingsley para o papel dá a dimensão da importância e peso que a Marvel deseja aferir a seus vilões. Ator brilhante e de currículo extenso e eclético, Kingsley talvez represente o conserto do maior ponto fraco deste projeto em sua totalidade: a caracterização de seus antagonistas. Excluindo o Loki de Tom Hiddleston – em “Thor” e “Os Vingadores” – e o Abominável de Tim Roth – em “O Incrível Hulk” –, todos esses personagens foram apresentados de forma superficial e/ou caricata.

Em “Homem de Ferro 2”, Chicote Negro (Michey Roucke) interpreta o mais fraco de todos eles, que de tão inexpressivo e superficial nem pode receber a alcunha de “vilão”; era somente um inimigo, nada mais que isso. Tanto que meses depois do lançamento do filme, o ator veio a público dizer que a Jon Favreau – diretor do longa – “faltaram colhões” para não se submeter às ordens do estúdio e de fato fazer um bom filme. Já na fita de Capitão América, a caricatura e a péssima maquiagem de Hugo Weaving fizeram de seu Caveira Vermelha uma piada de mau gosto: faltou tanto carisma e densidade ao personagem, que o mesmo se esvaziou na história e o confronto final soou patético, mesmo neste que considero o melhor filme solo de um personagem da Marvel.


E, finalmente, o que dizer dos Chitauri, raça alienígena aliada de Loki em “Os Vingadores”? Eles abriram o filme com uma sequência que prometia uma grande parceria, entretanto no decorrer das ações foram esquecidos pelo roteiro, sumiram e entraram na última meia hora para simplesmente serem aniquilados. Nossa, que grande função tiveram! É possível que esses aproveitamentos deficientes sejam resultado do foco que os roteiros tinham nos protagonistas, para que o público tivesse uma dimensão ampla de suas personalidades, ideologias e origens. Com isso houve desperdícios em trama e atores talentosos, e por essa causa Kingsley pode ser a grande chance de se repararem tais equívocos.

Com todos acertos e eventuais erros, “Homem de Ferro 3” previsivelmente já é considerado um grande sucesso mundial de bilheteria, haja vista sua campanha milionária em todas as mídias imagináveis, sendo verificado inclusive um grande aumento da venda de produtos e licenciados (de novas tiragens de DVD’s e Blu-ray’s dos filmes anteriores a bonecos raros). Logicamente, as sequências de combates e os efeitos especiais já reservam a pipoca. Mesmo assim, representa um enorme desafio para a Marvel – que não será o de testar a sua credibilidade e poder de qualidade, mas sim se o tom da narrativa vai ou não satisfazer os espectadores em geral. Assim como aconteceu com a trilogia de Batman dirigida por Nolan, parece que mais do que nunca se pretende provar que filmes de super-heróis não são historinhas para crianças ou para um público alienado, e que os conceitos trabalhados na cultura nerd são muito mais profundos do que se imagina.

Ainda na esteira de “Homem de Ferro 3”, complementarão a Fase 2 os já anunciados “Thor 2 – Mundo Sombrio” (com estreia prevista para 08.11.2013), “Capitan American – The Winter Solder” (ainda sem título oficial em português, com estreia prevista para 11.04.2014) e “Os Vingadores 2” (com estreia prevista para 01.05.2015). Segundo seus diretores, essas produções também focarão em aspectos mais sombrios e intimistas de seus personagens. E ainda haverá “Os Guardiões da Galáxia” (com estreia prevista para 08.08.2014), o primeiro longa a contemplar o nicho cósmico da editora, cuja trama ainda é enigmática, não se sabendo se Thanos de fato será o grande vilão [por conta da cena pós-crédito em “Os Vingadores”].

A estreia de “Homem de Ferro 3” nos cinemas brasileiros acontecerá na próxima sexta-feira, dia 26.04.2013, com sessões de pré-estreias em salas selecionadas. Nos demais mercados, incluindo o americano, as estreias passarão a ser uma semana depois, em 01.05.2013.

E, então, o que você espera desta fase? Pelo menos, a diversão já está mais que garantida!

Bom filme!